Hoje senti-me recompensada pela primeira vez desde que estou a trabalhar, realmente recompensada pelo trabalho e esforço que consegui dedidar a estes dois casos...já antes, apesar do pouco tempo que tenho, consegui pequenos milagres e grandes recuperações, consegui alguma fama, tanto de boa fisioterapeuta como de má, consegui receber alguns agradecimentos pelo atingido.
Mas hoje...
....foi diferente!!

Hoje sentei-me a olhar para o resultado do meu trabalho e não consegui deixar de sorrir e ficar contente por ter escolhido ser Fisioterapeuta.
«O João (nome ficticio) tem 29 anos, fazia yoga, artes marciais e mais 1001 coisas chegou às minhas mãos há um mês e meio, tinha sido operado ao joelho via artroscópica (os 4 furinhos lolol) por Sindrome de Plica e tinha ficado sem fisioterapia durante 2 meses por indicação médica. Na altura a flexão do joelho não ultrapassava os 70º nem activa nem passivamente. Um bloqueio que posteriormente percebi ser muscular brutal impedia-o até de andar sem coxear...forçar dava dor, muita dor!! que se traduzia em gargalhadas (para evitar chorar ou gritar)
" Terapeuta, vou conseguir ficar com o joelho como antes?" Gelei, é a pergunta mais comum, mais dificil de responder...
Depois de muita gargalhada (note-se, dor!!), muito raciocinio para chegar a alternativas, muitas duvidas, muita pergunta com respostas por vezes menos claras para evitar desapontamentos, muita discussão acerca dos limites daquele joelho, depois do João ter descoberto partes do joelho que nunca teria conhecimentos se não aparecem dores novas em sitios diferentes todos os dias...hoje o João acabou a segunda série de 15 tratamentos, hoje o João anda sem coxear, hoje o João consegue flectir o joelho a 140º, hoje o João está pronto para voltar à sua vida... e nem se apercebeu da minha cara radiante a olhar para ele a andar na bicicleta estática ;) »
«O Sr. Alfredo (nome ficticio) tem 77 anos e teve o segundo AVC há 6 meses, chegou às minhas mãos em cadeira de rodas acerca de 3 meses, movimentos activos dos membros superiores mantidos mas com ligeira espasticidade em ambos os membros inferiores...hoje foi até à recepção pelo próprio pé, passinhos incertos, a medo comigo ao lado mas sem ajuda. ;)»
Não, não são grandes feitos, não são recuperações extraordinárias mas são um acumular de momentos, de palavras, de força e de vontades que me marcaram...
3 comentários:
Parabéns! :) bom fim-de-semana*
muito tocante o texto do João...às vezes me pergunto o que fzer quando me formar... se vale mesmo a pena, e essas coisas nos incentivam a continuar sempre!!!
Mais nada! É assim mesmo, e são mesmo pequeninas coisas que nos fazem continuar a sorrir e a dar tudo de nós :P Continua miúda, que mais "Joões" e "Alfredos" andam por aí...
Por acaso ontem fiquei sem saber bem o que dizer. Tenho um senhor com paralisia facial que de um dia para o ourto já me pgtava se tava a fechar melhor o olho, e se estava a conseguir fazer bem as coisas... Eu só consegui fazer um sorriso e dizer que aquelas coisas demoravam tempo, que não se viam resultados de um dia para o outro. MAs por dentro pensava que não existe ali nenhuma contracção e que não me parece que a recuperação vá acontecer...
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